A noite era calma e pouco ruidosa. O frio servia como um sopro sonífero e certamente todos, exceto eu, dormiam tranqüilos.
A minha ansiedade era tão grande, que o sono tinha me dito adeus e prometido não voltar tão cedo.
Ah, o que fazer quando o frio bate, quando o sono some e a mente se cansa?
Nada.
Resolvi por deitar-me em minha tão confortável cama me esforçar para não pensar em nada. Esqueci, porém, que a ansiedade tão forte me atrapalharia na meditação.
Claro, tanto esforço em vão.
Quando me dei conta, depois de tanta luta para não pensar, atentei-me para o relógio que já marcava 3 horas da manhã.
Tarde para quem precisava acordar logo cedo, principalmente quem teria que enfrentar um dia cheio de tropeços e escaldantes compromissos.
Todavia, o sono voltou de seu passeio apenas às 5 horas da fria madrugada.
Eu acordaria em aproximadamente duas horas e quinze minutos, o que realmente ocorreu.
O longo banho com água bastante quente lavava a alma, e fazia transbordar os olhos de tanto choro.
Chorei como criança que sente cólicas e se desespera. Chorei até chegar o momento dos soluços, da calma e da quietude.
Pronta, de roupas limpas, cabelos secos e maquiagem, entrei no carro e, como de costume, carreguei para lá a xícara inundada de café bem amargo e acendi o primeiro cigarro, vulgo café da manhã.
E assim fui, ainda quieta, ao trabalho.
As primeiras palavras pós-choro foram bom dia, bom dia, bom dia...
Até que, o telefone toca...
Número estranho.
Mas eu sabia que dali, boas coisas não viriam.
E eu não estava errada. Infelizmente.
Maldita, maldita intuição!
quarta-feira, 2 de julho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
À brasileira...

Levanta, sacode a poeira e dê a volta por cima!
A poeira tiro daqui... afinal, quanto descaso com meu espaço-desabafo, não?
Levantar, talvez seja mais complicado do que se parece.
A vida é movida numa velocidade tão intensa, que as vezes me dá a impressão de ser excessiva. Deparo-me, costumeiramente, com aquele pensamento pesado, difícil, de que o tempo é curto, e que eu estou deixando a vida passar, e pior, sem passar por ela.
As inquietudes intrínsecas ao meu ser se esvaecem durante o dia, vez que ando bastante ocupada com o trabalho, com a faculdade e outros compromissos que não param em razão da minha revolta.
No entanto, todas estas inquietudes vagas voltam à tona quando me deito na cama com uma única vontade: adormecer. Sem querer pensar, sem querer sequer sonhar.
Afinal, já cansei-me daqueles sonhos que insistem em repetir [quase] toda noite, principalmente após a minha abdicação desta fantasia específica.
Esta ausência de paz na consciência arruína qualquer vida, qualquer mente, e qualquer coração.
Justo eu, justo eu quem nunca abriu mão de gritar que TUDO do que precisamos é amor...
Injustiça?
Não! Muito embora eu questione a existência, em mim, de qualidades para o amor, ou melhor, de saber que me falta um certo tino, eu ainda acredito na justiça divina.
Bom, talvez o amor jamais será pra mim...
Ou talvez a minha função é apenas viver no papel de espectadora... de saborear, mentalmente em minhas loucuras, qual o verdadeiro gosto do beijo, o verdadeiro prazer do sexo, a verdadeira graça de amar.
Dar a volta por cima?
Pois bem, apesar destes pesares, eu continuarei tenho um bom motivo para sorrir. Claro que é um sorriso diferente... Mais sério.
Isto porque descobri que tenho um grande amante, uma paixão antiga mas que eu nunca tinha encarado de frente, e hoje encaro – incrivelmente sem medo algum – mas é claro, este meu amor jamais me dará um abraço ou trocará qualquer palavra.
Pode, às vezes, me confortar... como vem fazendo, muito bem por sinal.
Pois meu único momento de paz, e o que estranhamente é bastante verdade, é quando estamos juntos.
E garanto que não é um amor platônico!
Só me pergunto como me dar paz se, por sua vez, só me faz correr e ocupa quase todo meu tempo!
Mas ah, que importa isso se me alegra?
Apresento a todos meu novo amor: meu trabalho.
Advogar é meu futuro.
Detalhe: ainda bem que advogar é uma atividade que pode ser desenvolvida individualmente.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Meu dia!

Hoje completo 21 anos.
21 anos de sorrisos e choros.
De alegrias e tristezas.
Surpresas e decepções!
Não quero presentes caros, muito menos presentes que não significam nada.
Não desejo ser a mais importante, a melhor sucedida, muito menos a próxima miss-alguma-coisa!
Quero apenas que o amor que tanto sonho, acredite em um futuro ao meu lado... Que deixe de lado o medo e venha aventurar-se na vida, ao meu lado!
Quero meu tão sonhado porto seguro, meu poço de vida, meu grande homem.
Quero também a paz mundial, que a pobreza e a miséria do mundo se findem...
Quero, quero, quero...
Quero que não exista violência, que a água potável nunca se acabe!
Quero que esses pessimistas, críticos, chatos que vivem na TV, nas revistas e nos jornais CALEM-SE e façam algo pra um mundo melhor...
Eu quero tanta coisa... São, todos, desejos, sonhos, objetivos e vontades!
Os quais eu pretendo realizá-los um a um.
No entanto, infelizmente, a maioria não dependa só de mim!
Eu quero vida, eu quero amor.
Desejo um, não todos, apenas um... aquele que, por ele, já lutei.
Quero fazer destes 21, os melhores 21 anos da vida!
Afinal, como bem disse a querida Patrícia que lança suas Palavras ao Vento, o tempo não volta, dura exatamente o que tem que durar, e eu não quero sair desta festa sem lembrar-me das danças, do rosto daquele que dançou comigo!
Quero tomar o banho de chuva que Luiz, Borra de Vida, tomou, quando encontrou-se com o pequenino com o guarda-chuva do Homem Aranha!
Ah... quero sentir-me no topo do mundo, no lugar mais barulhento do mundo, no mais silencioso!
Quero VIDA!
- Mais que devaneios, são loucuras misturadas... com repetição exagerada do verbo querer! Mas a pura verdade, quem escreveu tudo isso foi meu coração!
segunda-feira, 17 de março de 2008
O que me resta?

Ócio.
Impossibilitada de, sequer, sair de casa após uma cirurgia não muito agradável no aparelho digestivo [mais especificamente no intestino], cá estou eu!
Felizmente, correu tudo bem... Já saí do hospital, feliz da vida por poder sentir um ventinho no rosto, a luz do sol, deitar na minha cama e acender um cigarro.
Tudo começou na segunda-feira [10/03] com muita dor, terça praticamente passei fora de mim, muita anestesia, tubos, centro cirúrgico!
De quarta-feira a sexta-feira no quarto do hospital, soro, dieta líquida e etc...
A única felicidade, além da vida, é a visita de tantos queridos, amigos e parentes!
Este tempinho que tenho passado sozinha não tem sido totalmente em vão...
Possibilita, além de um bom descanso e um tempo extra, uma amplitude de idéias e novos pensamentos, sejam eles sobre a vida, o futuro profissional, os valores... enfim, quase tudo!
E ah, mais tempo pra escrever! Só me falta um bocado de criatividade.
Gostaria de compartilhar um lindo poema de Fernando Pessoa, que me faz pensar.
Além disso - não sei se concordam comigo - retrata, nem que só um pouco, o que eu e estes queridos escritores que estão nos links ao lado [os quais eu tenho a honra de ter como leitores] fazemos em nossos blogs! Lá vai...
Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
18/09/1933 – Fernando Pessoa
quarta-feira, 5 de março de 2008
E, um dia, corações conversaram...

Sabem quando o seu interior está tão confuso que, ao tentar colocar as palavras juntas, elas simplesmente formam um texto extremamente desconexo e infeliz?
Não sei exatamente o porque desta inquietação que me levou a criativade, só sei que esta me impossibilitou de cantar, sorrir e escrever por uns dias.
Felizmente, a inquietação, assim como diversas coisas na vida, se foi. E cá estou eu novamente, compartilhando mais um bocado de idéias e ideais.
Semanas atrás, havia dúvidas em meu coração sobre em que me apegar: sonho ou certeza.
Lembro-me bem no dia que optei pela concretude do ser, e adiei o sonho.
Mas, como nunca consegui deixar de lutar por algo, fui autêntica e esta certeza resolvi deixar... Em um lapso de vontades e desejos, aproximei-me ainda mais do incerto, fazendo com que o calor somado a um ato de trunfo me deixassem mais próximos de uma possível realização efetiva daquele sonho que acredito ser um bem maior.
Não só atos me aproximaram dele. Felizmente, em uma noite, dois corações resolveram falar.
O meu e outro.
Ambos falavam de sentimentos e esclareceram-se. Disseram em voz alta que são próximos, muito próximos.
Fiquei feliz. Estou feliz!
É claro que, certamente, tudo ainda está longe do fim. Confesso que está um tanto afastado do começo, mas, quando dois corações falam, a chama do amor e a vontade de continuar lutando por um sonho se renova.
E esta força, amigos, é mais forte que muitas tristezas e, muito mais forte que diversos obstáculos.
Continuo lutando, com fé, coragem e, principalmente, amor!
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Nada além de...

Desejei por muitos meses que algo de novo acontecesse em minha vida!
Acreditava que, com alguma mudança, alguns sentimentos seriam aliviados ou, por que não, até mesmo retirados do coração...
A possibilidade de uma mudança enfim surgiu, mas, com esta eu teria de "deixar" um sonho para traz, ou melhor, fazer uma decisão.
Muito confusa e perdida em tantas idéias que criei, misturando desejos e verdades, escolhi. Mas, me pergunto a todo momento se fui certa ao tomar tal decisão.
É difícil escolher quando se tem na mão dois caminhos: o sonho incerto ou uma certeza interessante, porém, diferente daquele sonho.
A certeza, acalma. A incerteza, intriga.
E é preciso de muita coragem para optar pela incerteza, concordam?
Eu confesso: posso ter sido covarde, pois, após muitos pesares, prós e contras, fiquei com o que me era concreto.
Então os pergunto, até onde é errado deixar um sonho que não se tem exata certeza de que um dia se concretizará [em razão de não depender apenas de sua própria vontade], em prol de vivenciar uma relação que passa longe do abstratismo?
Só sei que, ao pedir por mudanças, esqueci que junto desta, vem também dúvidas e decisões ...
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
I was wondering...

Sou aquela que não sabe se é criança, adolescente ou adulta.
Que não crê, ou prefere não crer, que existam pessoas que não aprenderam o que é carater.
Me irrito com coisas que gosto, mas me irrito mais ainda quando as pessoas que eu amo, que eu convivo, parecem esquecer-se de que eu também quero um pouco de carinho, de atenção ... e não apenas dá-los.
Sorte que irritação é passageira! Mas, acredito que todo ser humano é carente ... e, a carência é quase que constante.
Quando falo disso, sinto-me como uma criança! Aquela que é sempre dependente de alguém... que sempre chora por um colo!
Além disso, sempre me deparo com a intensa vontade pela liberdade... Seja a liberdade uma simples possibilidade de sair sem ser questionada, ou a liberdade de escolher o que se quer fazer ou de tomar decisões de maior importância.
E o engraçado é que, quando se fala de tomar decisões, procuro a opinião de alguém que me apoie para iniciar um novo caminho!
Nesta situação, me sinto uma adolescete em fase de transição... Aquela que tudo quer [sem poder], mas que, quando lhe é dada a possibilidade de escolha, se sente incapaz de tomá-la sozinha.
E adulta? Será que já posso ser considerada assim?
Como disse, ainda não sei... Tenho certas responsabilidades, sim! No entanto, não consigo definir se ser adulto é apenas ter responsabilidades. Afinal, até crianças têm responsabilidades, e, não é tão raro observarmos adultos irresponsáveis.
Como me considerar adulta se choro, se falo sobre o que sinto abertamente e me sinto, as vezes, tão pequena diante da vida? Se, ainda, gosto de opiniões dos queridos, que não gosto muito de conseguir as coisas sozinhas para não me sentir solitária?
E que, além de tudo, adora brincar de roda com os amigos, não rodas com cantigas como no tempo de moleca, mas aquelas com vozes e conversas de pessoas crescidas!
Concluo que, deve-se ser criada uma nova fase da vida: aquela em que a pessoa ainda não aprendeu a seguir sozinha, que precisa de atenção de alguém, do apoio... Mas, que consiga, quando necessário, tomar decisões sem que lhe seja dado um conselho, e ainda, que não se sinta auto-suficiente demais para pedir ajuda quando necessário.
Que esta nova fase, aceite também pessoas que falam o que querem, que exponham seus pensamentos e devaneios sem serem taxadas como crianças que necessitam de atenção, adolescentes em crise ou adultos infelizes.
Uma fase que não julga a "aptidão" das pessoas para crescerem diante do mundo apenas pelos seus pontos fracos.
Acho, que tudo que quero é liberdade para ser eu mesma sem que isso me rotule como uma pessoa que não se importa com o futuro ou que não aprendeu a crescer!
Não sei se tem muito sentido para quem lê, mas tudo isso faz parte de meus pensamentos.E como aqui é minha fuga, não há porque ter vergonha de expo-los, certo?
Beijos
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