sexta-feira, 5 de junho de 2015

Das piras

Cada história que eu vivi,
Só a mim pertence.
Lembradas através de fotos,
Do riso,
Da memória,
Do sonho,
Da dor,
Do sonho.

Das sensações únicas, 
Como o vento que me lembra um dia qualquer,
Do cheiro que me leva a outros lugares,
Do sabor de cada canto,
Da misturas de tempeiros que me fazem viajar de novo.

Do som, 
Dos sotaques,
Da insegurança,
Dos sustos,
Dos medos,
Da coragem,
Da minha força,

Do cansaço,
Da alegria,
Da tristeza,
Da solidão,
Da sintonia.

Do choro,
Da resiliência,
Do perdão,
Do sorriso,
Da tempestade,
Da forma que bateu o coração

Da saudade,
Da ilusão,
Do entendimento,
Da pura razão.

Do nascimento,
Do renascimento,
Da mudança,
Do sentido,
Da construção do ser,
Da reconstrução.

Do retorno
Do encontro
Do reencontro,
Da saudade, mais uma vez.

Das conquistas,
Das perdas,
Do amadurecimento.

Da felicidade,
Do sentimento de que eu tinha que ter visto isso tudo,
Ter vivido cada sentimento,
Descobrimento,
Auto-conhecimento.


domingo, 30 de novembro de 2014

Quatro meses

Saí da minha casa, do meu país, do meu conforto.
Queria encontrar a felicidade, aqui dentro.
Aprender a ser feliz sozinha.
Contemplar novas paisagens,
Conhecer pessoas,
Saber dos problemas e soluções do velho mundo.
E o fiz.
Me sinto mais madura,
Mais inteligente,
Mais interessante.
Também entendi que nenhum lugar é perfeito.
Que todo mundo tem defeito.
Eu aprendi mais sobre a saudade...
Ah, a saudade!
Ela realmente muda a gente.
Sinto falta do nosso sol,
Do nosso por-do-sol.
Da minha família,
Dos meus amigos,
Da comida, do churrasco, do feijão.
E também sei que quando eu voltar,
Sentirei saudade de tudo que estou vivendo.
Entretanto, não é aquela saudade amarga,
Que me faz triste,
Que me faça sofrer.
É uma saudade doce,
Que sei que dará um sabor todo especial nos abraços,
Nos carinhos,
Nos beijos,
E tudo mais que eu receber quando voltar!
Sou feliz, ainda mais feliz por saber que meu Brasil e meus amores me esperam,
De braços bem abertos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O peso da razão

Eu queria muito poder te querer.
Dizer mais do que digo e também pensar em coisas mais profundas, as quais hoje, eu desvio o pensamento, evitando-as para o meu bem estar.
Queria mesmo fingir que você é um homem que foi feito pra mim, que, talvez, pudesse me acompanhar por muito e muito tempo.
Sonhar com a viagem que, eu acho, que nunca faremos.
Poder idealizar as palavras que eu não escuto.
Poder te dizer mais do que apenas - sinto sua falta.
Porque, de fato, sinto mais que só a sua falta.
Queria mesmo é não ter conversas interrompidas por não querer extrapolar a razão, e não deixar fluir o sentimento que eu tranquei em algum lugar e joguei a chave fora.
Sou eu, mais uma vez, sendo ridícula e querendo o impossível.
Mas, quando fecho meus olhos, ou quando vejo algo que lembra você, eu não consigo não pensar na habilidade que tens de me traduzir, de me ler sem que eu peça, de entender o que eu preciso...
Você me ganhou pouco a pouco, depois de tantos anos... 
Te conheci em outro fuso horário, nem sequer pensava que poderia existir eu+você.
Tudo mudou completamente depois que nós nos experimentamos...
Que sentimos pela primeira vez o gosto, o cheiro, e o calor do outro.
Em noites frias, outras quentes, eu tive você. E você me teve, por inteira. Como jamais permiti qualquer outro.
Algo muito mágico e indescritível, que apesar da razão dizer: "ei, pare por aí", eu deixei a vontade gritar: "venha aqui, de novo" e de novo, e mais outra vez...
E não me arrependo um só segundo.
Hoje eu estou longe, mas talvez nunca estive tão perto em pensamento, com tantos desejos, com essas palavras que não posso dizer, com vontade de te ligar só pra escutar sua voz.
Mas, a razão martela sem pesar, e eu volto pra realidade e coloco-me a pensar: você apenas terá o que já vistes, jamais o que sonhastes.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

eu hoje, de verdade

mudo meu mundo
mais uma vez

rompendo, de vez
a insatisfação diária de ir trabalhar
sem vontade
nenhuma paixão

escolhi um sonho antigo
morar no velho mundo
descobrir minhas vontades
encontrar minhas palavras perdidas

coragem
mudanças
incertezas

liberdade
sem planos
sem roteiros

desapego 
misturado com um pouco de apego repentino
sabe?

doando coisas
doando amor
doando sorrisos
mensagens boas

me apegando ainda mais
às pessoas
aos meus amores
aos meus desejos

quero ser assim
pra sempre

terça-feira, 10 de junho de 2014

era só um sonho
mas eu ouvi você dizer calma
pedindo pra eu não umedecer demais a alma
porque de nada adianta chorar

ouvi também você dizer
que ia me cuidar
me apertar contra seu peito
acalmar meu choro longo
e em silêncio
me fazer dançar

agora
eu que te peço
vem aqui
me faz pequena em um laço
de abraços
que vou deixar seu coração a conduzir o meu

cansei do contrapasso
quero mesmo é acreditar no sol que nasce no horizonte
na lua branda
escutar o pulsar da sua alma
aconchegar seu peito no meu

vem aqui
que meu coração já se perdeu
me dê um novo passo
encosta aqui
seu peito no meu.

texto feito ouvindo músicas que eu gosto muito, que valem a pena serem ouvidas.
roubei algumas palavras do que já foi escrito por esse cara, que canta e (en)canta demais.
Rafael Morais - Dançar com você
https://www.youtube.com/watch?v=LZP9wbQPVAQ

segunda-feira, 26 de maio de 2014

coragem

eu quero ir embora
conhecer mais do mundo
cansei da seguridade
da estabilidade
das verdades mal ditas
de mentiras convincentes
esquecer de quem fui
aprender o que sou
mudar de continente
conhecer o branco
o preto
o amarelo
e o arco íris de gente que tem por aí
enlouquecer com montanhas
com neve
com sol e praia
mar do pacífico
do índico
do atlântico
do mar morto
do mar vivinho de gente
de mal
de amor
de sabor
conhecer o deserto
o céu aberto
o camelo
o leão
o panda
um casarão
qualquer coisa
muitas idas
vindas
revindas
bem vinda
mais linda
pra que esperar
eu me pergunto
quem não tem coragem não vive
e palavas não resolvem
não apontam soluções
nem trazem furacões
então
coragem
coragem
e mais coragem

domingo, 18 de maio de 2014

bem mais que uma forte onda
de volúpias 
de vontades

meio litro de coragem
com vinho tinto
não suave 

expurgada dos moralismos 
hipócritas
deleitou-se 
madrugada adentro

entusiasmo 
e prazimento

outro dia
por favor
um carménère
a contento