quarta-feira, 9 de julho de 2014

eu hoje, de verdade

mudo meu mundo
mais uma vez

rompendo, de vez
a insatisfação diária de ir trabalhar
sem vontade
nenhuma paixão

escolhi um sonho antigo
morar no velho mundo
descobrir minhas vontades
encontrar minhas palavras perdidas

coragem
mudanças
incertezas

liberdade
sem planos
sem roteiros

desapego 
misturado com um pouco de apego repentino
sabe?

doando coisas
doando amor
doando sorrisos
mensagens boas

me apegando ainda mais
às pessoas
aos meus amores
aos meus desejos

quero ser assim
pra sempre

terça-feira, 10 de junho de 2014

era só um sonho
mas eu ouvi você dizer calma
pedindo pra eu não umedecer demais a alma
porque de nada adianta chorar

ouvi também você dizer
que ia me cuidar
me apertar contra seu peito
acalmar meu choro longo
e em silêncio
me fazer dançar

agora
eu que te peço
vem aqui
me faz pequena em um laço
de abraços
que vou deixar seu coração a conduzir o meu

cansei do contrapasso
quero mesmo é acreditar no sol que nasce no horizonte
na lua branda
escutar o pulsar da sua alma
aconchegar seu peito no meu

vem aqui
que meu coração já se perdeu
me dê um novo passo
encosta aqui
seu peito no meu.

texto feito ouvindo músicas que eu gosto muito, que valem a pena serem ouvidas.
roubei algumas palavras do que já foi escrito por esse cara, que canta e (en)canta demais.
Rafael Morais - Dançar com você
https://www.youtube.com/watch?v=LZP9wbQPVAQ

segunda-feira, 26 de maio de 2014

coragem

eu quero ir embora
conhecer mais do mundo
cansei da seguridade
da estabilidade
das verdades mal ditas
de mentiras convincentes
esquecer de quem fui
aprender o que sou
mudar de continente
conhecer o branco
o preto
o amarelo
e o arco íris de gente que tem por aí
enlouquecer com montanhas
com neve
com sol e praia
mar do pacífico
do índico
do atlântico
do mar morto
do mar vivinho de gente
de mal
de amor
de sabor
conhecer o deserto
o céu aberto
o camelo
o leão
o panda
um casarão
qualquer coisa
muitas idas
vindas
revindas
bem vinda
mais linda
pra que esperar
eu me pergunto
quem não tem coragem não vive
e palavas não resolvem
não apontam soluções
nem trazem furacões
então
coragem
coragem
e mais coragem

domingo, 18 de maio de 2014

bem mais que uma forte onda
de volúpias 
de vontades

meio litro de coragem
com vinho tinto
não suave 

expurgada dos moralismos 
hipócritas
deleitou-se 
madrugada adentro

entusiasmo 
e prazimento

outro dia
por favor
um carménère
a contento

quinta-feira, 15 de maio de 2014

eu que só queria amar...

que sonhei com um abraço, ou só um braço,
uma mão, ou duas pra me acalmar.

pedia um carinho,
um colo e um cafuné.

um peito pra eu deitar,
um xodó ao pé do ouvido
e uma companhia pra banhar.

um café,
pra dois sorrisos.

um inverno acabar sem frio na cama,
um cobertor humano pra esquentar.

continuei a esperar, até que 
num súbito momento,
percebi que só o vento
pode trazer alguém pra me cuidar.

terça-feira, 8 de abril de 2014

anoiteci triste,
buscando mil razões para buscar a felicidade.
adormeci em prece,
amanheci em prantos.

chorei,
mas lembrei que sorrir era mais prazeroso,
então, anoiteci ainda triste,
mas adormeci com um sorriso de esperança.

assim,
amanheci,
de novo.
e percebi que a vida é isso...
amanhecer cada dia diferente.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

no mundo lá de fora

A reprodução não interrompida de um mesmo fato ou fenômeno é um dos significados da palavra constância.
O sentimento que a vida muda pouco, que a rotina é sempre persistente, ainda que todos julguem o contrário.
Encontrei, no mundo, um afago. Encontrei nas mais diversas paisagens uma resposta que Deus está presente em tudo.
Aquilo que eu não ganhei de ninguém, nem de mim, eu procurei fora. Fora da casinha. Fora da zona de conforto. Que aliás, hoje é minha zona mais segura.
É fora do meu mundinho que eu sou verdadeiramente eu.
Me perdi nesses anos todos. A independência de muita coisa, me tornou um ser humano fechado.
Ao perceber essa constante ansiedade, concebi, das mais diversas formas, pensamentos uníssonos que diziam: você precisa mudar.
Ato ou efeito de mudar, alteração... mudança.
E eu fui mudando. Crescendo. Amadurecendo.
Ficando mais tolerantes para certos assuntos, muito, mas, muito menos, para tantos outros.
Passei a expor muito mais minha opinião, porém, escolhendo melhor a quem dizê-las.
Eu, que falo muito, me calei muito mais. Deixei de ser carinhosa e presente. Sou presente de vez em quando. Mas quando sou, sou muito. (e uso isso como desculpa, sempre.)
Eu tenho bastantes diálogos sozinha. Eu me confundo e me convenço bastante. Ser advogada é um inferno pessoal quando relacionado isso à pouca psicologia que conheço.
Meu problema hoje é o tempo. Da mais inusitada forma... eu dei um tempo. Passaram-se anos. Eu dei muito tempo para eu mesma.
Me entendi, me recordei de coisas que não imaginava ser possível, e me esqueci daquilo que me fazia mal. Me perdoei. Perdoei os outros. Renasci e recomecei.
Afinal... mudei. Mudei! M-u-d-e-i! (preciso repetir, para acostumar)
Mas sou a mesma em muita coisa, principalmente em coisas que me incomodam bastante.
Aí volta, a constância. A constância da insatisfação.
E eu falei um pouco do tempo... foi tanto tempo que perdi o ritmo. Perdi o passo.
Pior que isso, ainda me questiono, quanto tempo mais.
E questionarei sempre, pelo jeito. A constância do questionamento.
Não sei viver em uma sociedade assim, ou melhor, nessa sociedade que eu conheço. No meu mundo stricto sensu.
Resolvi que no mundo além, no mundo aquém, eu seria mais real, mais feliz.
Me despojando de qualquer coisa, levando comigo o necessário e conhecendo o maior número de pessoas por dias. Descobrindo quão interessantes as pessoas realmente podem ser.
Principalmente quando ninguém tem passado, ninguém está pensando em futuro, mas sim, em viver aquele presente.
Sentir o vento, sentir o sol, sentir cada gota de chuva e rir. Rir sozinha, rir em grupo. Eu me dei chance de fazer coisas que não faria por julgar tolas, ou sem razão. E com isso fui percebendo que pra nem tudo precisa ter uma razão. É muito bom ter vontade, ir lá fazer, e pronto.
Eu comecei a viajar sozinha e isso me abriu um mundo de possibilidades.
Passei a entender um pouco porque tanta gente fala frases feitas de "viva o agora", e coisas nesse sentido.
Aí, vem tanta coisa na cabeça.... a vida é um conjunto de ensinamentos, alguns obstáculos, claro, porém, tudo em prol de um bem maior. Da evolução.
E ainda que se tenha passado pela minha vida tantos obstáculos, eu evoluí o que? E quanto?
Afinal, quem responde isso?
A constância da dúvida.
Enquanto isso, o sentimento de solidão que não apazígua diante de nenhum entendimento, ou experiência. Por melhor que os sejam momentos que eu ela tenha vivido, eu o vivi só, ou com pessoas especiais que verei com pouquíssima frequência, ou nunca mais. Nunca mais mesmo, pois não trocamos um contato sequer.
A constância da solidão.
Incrível como no mundo lá fora, onde estou só, me sinto mais protegida que aqui dentro, onde tenho algumas companhias.
Protegida talvez não seja a palavra, mas, com certeza, eu me sinto mais forte para proteger eu mesma.
Apesar de todo o sentimento de tristeza que vem, as vezes, sem convite, eu acredito, de coração aberto, que tudo isso um dia vai valer a pena.
Que, além de ter aproveitado muito esta minha passagem pela vida, eu terei contemplado os mais belos lugares, ter dado as mais altas gargalhadas, os mais gostosos abraços de reencontros e despedidas, chorado as verdadeiras lágrimas, sejam de contemplação ou de saudade.
Eu sei que sempre haverá mais por aí. Estarei pronta e de braços abertos...
A constância de toda mudança: a gente sempre vive algo novo.