terça-feira, 8 de abril de 2014

anoiteci triste,
buscando mil razões para buscar a felicidade.
adormeci em prece,
amanheci em prantos.

chorei,
mas lembrei que sorrir era mais prazeroso,
então, anoiteci ainda triste,
mas adormeci com um sorriso de esperança.

assim,
amanheci,
de novo.
e percebi que a vida é isso...
amanhecer cada dia diferente.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

no mundo lá de fora

A reprodução não interrompida de um mesmo fato ou fenômeno é um dos significados da palavra constância.
O sentimento que a vida muda pouco, que a rotina é sempre persistente, ainda que todos julguem o contrário.
Encontrei, no mundo, um afago. Encontrei nas mais diversas paisagens uma resposta que Deus está presente em tudo.
Aquilo que eu não ganhei de ninguém, nem de mim, eu procurei fora. Fora da casinha. Fora da zona de conforto. Que aliás, hoje é minha zona mais segura.
É fora do meu mundinho que eu sou verdadeiramente eu.
Me perdi nesses anos todos. A independência de muita coisa, me tornou um ser humano fechado.
Ao perceber essa constante ansiedade, concebi, das mais diversas formas, pensamentos uníssonos que diziam: você precisa mudar.
Ato ou efeito de mudar, alteração... mudança.
E eu fui mudando. Crescendo. Amadurecendo.
Ficando mais tolerantes para certos assuntos, muito, mas, muito menos, para tantos outros.
Passei a expor muito mais minha opinião, porém, escolhendo melhor a quem dizê-las.
Eu, que falo muito, me calei muito mais. Deixei de ser carinhosa e presente. Sou presente de vez em quando. Mas quando sou, sou muito. (e uso isso como desculpa, sempre.)
Eu tenho bastantes diálogos sozinha. Eu me confundo e me convenço bastante. Ser advogada é um inferno pessoal quando relacionado isso à pouca psicologia que conheço.
Meu problema hoje é o tempo. Da mais inusitada forma... eu dei um tempo. Passaram-se anos. Eu dei muito tempo para eu mesma.
Me entendi, me recordei de coisas que não imaginava ser possível, e me esqueci daquilo que me fazia mal. Me perdoei. Perdoei os outros. Renasci e recomecei.
Afinal... mudei. Mudei! M-u-d-e-i! (preciso repetir, para acostumar)
Mas sou a mesma em muita coisa, principalmente em coisas que me incomodam bastante.
Aí volta, a constância. A constância da insatisfação.
E eu falei um pouco do tempo... foi tanto tempo que perdi o ritmo. Perdi o passo.
Pior que isso, ainda me questiono, quanto tempo mais.
E questionarei sempre, pelo jeito. A constância do questionamento.
Não sei viver em uma sociedade assim, ou melhor, nessa sociedade que eu conheço. No meu mundo stricto sensu.
Resolvi que no mundo além, no mundo aquém, eu seria mais real, mais feliz.
Me despojando de qualquer coisa, levando comigo o necessário e conhecendo o maior número de pessoas por dias. Descobrindo quão interessantes as pessoas realmente podem ser.
Principalmente quando ninguém tem passado, ninguém está pensando em futuro, mas sim, em viver aquele presente.
Sentir o vento, sentir o sol, sentir cada gota de chuva e rir. Rir sozinha, rir em grupo. Eu me dei chance de fazer coisas que não faria por julgar tolas, ou sem razão. E com isso fui percebendo que pra nem tudo precisa ter uma razão. É muito bom ter vontade, ir lá fazer, e pronto.
Eu comecei a viajar sozinha e isso me abriu um mundo de possibilidades.
Passei a entender um pouco porque tanta gente fala frases feitas de "viva o agora", e coisas nesse sentido.
Aí, vem tanta coisa na cabeça.... a vida é um conjunto de ensinamentos, alguns obstáculos, claro, porém, tudo em prol de um bem maior. Da evolução.
E ainda que se tenha passado pela minha vida tantos obstáculos, eu evoluí o que? E quanto?
Afinal, quem responde isso?
A constância da dúvida.
Enquanto isso, o sentimento de solidão que não apazígua diante de nenhum entendimento, ou experiência. Por melhor que os sejam momentos que eu ela tenha vivido, eu o vivi só, ou com pessoas especiais que verei com pouquíssima frequência, ou nunca mais. Nunca mais mesmo, pois não trocamos um contato sequer.
A constância da solidão.
Incrível como no mundo lá fora, onde estou só, me sinto mais protegida que aqui dentro, onde tenho algumas companhias.
Protegida talvez não seja a palavra, mas, com certeza, eu me sinto mais forte para proteger eu mesma.
Apesar de todo o sentimento de tristeza que vem, as vezes, sem convite, eu acredito, de coração aberto, que tudo isso um dia vai valer a pena.
Que, além de ter aproveitado muito esta minha passagem pela vida, eu terei contemplado os mais belos lugares, ter dado as mais altas gargalhadas, os mais gostosos abraços de reencontros e despedidas, chorado as verdadeiras lágrimas, sejam de contemplação ou de saudade.
Eu sei que sempre haverá mais por aí. Estarei pronta e de braços abertos...
A constância de toda mudança: a gente sempre vive algo novo.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Bambina

Não entendi qual a conclusão correta,
Se há eufemismos demais nessa vida,
Ou se é simples e nós complicamos... 

Não descobri se o ser maior a quem eu rezo é uma crença profunda que eu torno verdade ou se tudo não passa de uma opinião.

Notei que, quanto mais o tempo passa, mais as coisas perdem a graça enquanto outras ganham proporção.

E talvez, só talvez, a vida me vê pra sempre como criança...
Na verdade, me deixa cair não pra machucar, mas para aprender sempre!

Aos meus 26 anos, alguns kilometros rodados, muitas lágrimas, muitos sonhos e desilusões, eu ainda não sei de nada.

E assim é a vida de uma criança.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

me acostumei a procurar rimas para minhas loucuras,
usar a vírgula a cada pausa de pensamento,
que não sei mais me expressar sem essas duas.

meus pensamentos andam tão rápidos e desconexos,
e também me acostumei assim.

eu mudo a cada hora,
eu (des)entendo alguma coisa
(des)aprendo outras.

a criança cresce da mesma forma que a fruta amadurece,
e quase tudo evolui por aí.

aí eu entendo que eu sou ciclo, 
morro e renasço todo dia,
renovando a mim mesma,
procurando um mundo além.

enquanto eu sentir essa vontade,
descobrir toda verdade,
ser capaz de entender que tudo tem uma razão,
eu sei que pensarei, viverei mais a cada dia,
na certeza que o impossível é questão de opinião.

no final, somos infinitos.
eu acredito.







terça-feira, 17 de dezembro de 2013

é a canção que sona a aurora,
que nem sabe o quanto encanta

é um céu azul que reluz o brilho encantador do sol,
sem nuvens cinzas no horizonte.

é o perfume da terra molhada que existe em qualquer lugar,
é o barulho da chuva que acalma.

é o gelo que escorre nas costas em um dia de verão,
mais de quarenta graus de excitação.

é a falta de definição pra qualquer coisa que sentia, 
parece que aprendia que ninguém queria bagunçar um coração.

verdades são bem vindas só se forem escondidas,
ninguém gosta de sinceridade não.

e constantemente se esquecia,
eram novas regras todo dia,
muita informação.

quisera o mundo fosse justo,
alimentasse todo mundo,
e não se guiasse por corrupção.

os puritanos pestanejavam, enlouquecidos,
e pensavam que não precisavam de perdão.

tanta loucura em um mundo 
que seu não parecia,
e lembrava todo dia
"não se engane, tanto, não!"







quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Dizeres confusos em meio aos sorrisos.
Ela se perguntou depois de algumas horas se ele estava realmente atento...
Ele só desejava em silêncio aquela boca que não parava de mexer...

Ela nem sabia mais o que contar,
Afinal, ele já tinha perguntado tudo a seu respeito.
E mesmo tentando manter aquele mistério necessário, ela embarcou no nervosismo e não conseguia se calar.

E ele só a desejava mais ainda,
Apreciava o movimentos dos braços, das mãos e chegou imaginar como seria aquele abraço.

Quando ela percebeu, ele já havia mudado de sofá e sentado ao seu lado.
O perfume conseguia seduzir mais ainda quando ele estava pertinho.
E ela gostou, mas gostou em silêncio.

Ele já não tinha mais desculpas para alongar aquela noite,
Precisava ir embora mas nessa hora, ele já tinha esquecido de tudo isso.
Ele colocou as suas mãos nas pernas dela quando riu,
Se envergonhou ao perceber, mas... Sorriu.

Era uma charada inesperada e quase indecifrável.
Ela estava desacostumada. Não imaginava que poderia seduzir alguém sem querer.

Ele não sabia que ela era tão linda assim,
Já ela nem imaginava tanto bom humor.

Ao acaso, ou não, aquela mão fez efeito,
Foram se os defeitos,
Já era feito. Fizeram-se.
Amaram-se.

Calaram-se.

Porque desejo é assim. Pra muitos, vem e passa.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

loucura escrita

muitas vezes eu converso sozinha e faço aquele desabafo necessário,
falo alto,
baixinho,
choro... e realmente sinto toda a dor que normalmente eu me esqueço,
sinto a saudade de algo que eu não tenho,
sinto o luto dos meus amigos que já se foram,
sinto a carência louca,
sinto tudo, tudo!

e é difícil...
noites assim, geralmente são seguidas de um dia estranho.
aquele dia que eu não quero falar,
que eu prefiro pensar,
que eu prefiro ouvir qualquer coisa, menos ouvir mais problemas.

e fico brava quando penso que costumo ser grata,
grata aos dias que nascem, aos dias de sol, de chuva...
ao verde, ao céu, à tudo.
mas tem dias que esqueço disso, que sinto pesar...
que me sinto só,
que eu quero chorar.
e choro...

choro por tudo que não vivi,
por tudo que deixei passar,
pelas oportunidades que perdi,
pelo amor que se foi,
pelo coração vazio,
e pelo amor que eu tinha pra dar, e talvez nem tenha mais.

eu só estou desabafando aqui, porque quando tem pessoas em volta, falar sozinha é sinonimo de loucura.
prefiro ser louca aqui,
onde ninguém me julga,
onde pessoas como eu se soltam,
e não tem vergonha de gritar o que são.

hoje é um dia estranho,
com saudade de tudo,
vontade de tudo,
e realidade de menos.